Dicionário do Parkinson

Todos os termos médicos relacionados à doença de Parkinson traduzidos de forma clara e fácil, para você nunca mais ficar perdido nas conversas durante as consultas.

1. Alucinações

São percepções sensoriais da realidade falsas ou distorcidas, ou seja, quando uma pessoa percebe algo que não está realmente presente no ambiente. Podem ser visuais (ver vultos, pessoas ou animais) ou auditivas (ouvir barulhos ou vozes). No contexto da doença de Parkinson, as alucinações podem acontecer por efeito colateral de remédio ou ao longo da evolução da doença em fases mais avançadas.

2. AMS (Atrofia de Múltiplos Sistemas)

Doença do grupo dos "parkinsonismos atípicos", caracterizada pela presença de sintomas de parkinsonismo (tremor, rigidez e lentidão) associados a incoordenação motora (desequilíbrio) e disautonomia (oscilações de pressão levando a desmaios, perda de controle da urina e variações da temperatura e do suor). Tem uma evolução mais grave e rápida quando comparada com a doença de Parkinson, além de menor resposta ao tratamento medicamentoso disponível.

3. Apatia

Condição caracterizada por falta de interesse, motivação ou emoção em relação a atividades que normalmente seriam envolventes ou estimulantes.

4. Bradicinesia

Termo técnico para "lentidão anormal, patológica". O ser humano, com o envelhecimento vai ficando de fato mais lento, entretanto, existem algum movimentos que são anormalmente lentos, sugestivos de algum problema médico. Este é o sintoma mais característico da doença de Parkinson.

5. DBS

Sigla para Deep Brain Stimulation, uma expressão em inglês, que significa Estimulação Cerebral Profunda. É o popularmente conhecido "marcapasso cerebral", usado para tratar os sintomas motores do Parkinson.

6. Delirium

Termo técnico para um estado de confusão mental aguda (em questão de horas a dias) e alteração da consciência (agitação ou sonolência excessiva). Esta expressão não é sinônimo de "delírio"(que é um sintoma psicótico e significa alteração da percepção da realidade). No contexto da doença de Parkinson, o delirium pode ocorrer quando o paciente previamente bem fica desorientado e agitado de forma súbita ("de uma hora para outra") e, nesta circunstância, deve-se pensar em efeito colateral de alguma medicação, início de alguma infecção ou até mesmo desidratação.

7. Demência

Termo técnico para uma condição na qual o paciente tem perda de memória e do racioc?ínio, a ponto de não conseguir organizar a própria vida. É um termo genérico, ou seja, não define a causa desta condição (o motivo do paciente estar esquecido). No contexto da doença de Parkinson, após cerca de 8-10 anos de sintomas, alguns pacientes podem evoluir com esquecimentos e desorganização com necessidade de ajuda de outras pessoas para as atividades do dia a dia. Isso acontece porque a doença "se espalhou para as áreas cognitivas" e chamamos isso de "demência da doença de Parkinson".

8. Demência por Corpos de Lewy

Doença na qual o paciente tem sintomas de parkinsonismo (tremor, lentidão e rigidez), demência (perda de memória grave a ponto de precisar de ajuda para as atividades do dia a dia) e psicose (alucinações visuais ou auditivas, delírios). Tem uma evolução mais rápida quando comparada com a doença de Parkinson e os sintomas são de difícil controle com os tratamentos medicamentosos disponíveis.

9. Diagnóstico clínico

Quando uma condição tem o diagnóstico clínico entende-se que para confirmar a presença da doença o médico não necessita de exames complementares (como exames de sangue, tomografia, eletroencefalograma ou ressonância). Mais especificamente, não existirá um exame que o médico solicitará que irá confirmar a suspeita. Uma avaliação clínica detalhada (conversa e exame físico) é que definirá e confirmará o diagnóstico.

10. Disartria

Termo técnico para dificuldade de falar. O paciente entende tudo, sabe o que quer dizer, mas ao falar sua voz sai estranha e/ou ele não consegue articular a fala com a boca.

11. Disautonomia

Termo técnico para desregulação de funções involuntárias do corpo, como controle de pressão arterial e frequência do coração, controle da urina e controle da temperatura corporal. Os principais sintomas da disautonomia são: sensação de desmaio ao mudar de postura (levantar da cadeira, por exemplo), retenção ou incontinência urinária, mãos e pés frios e roxos (cianóticos), excesso de suor e sensação de má digestão. No contexto da doença de Parkinson, os pacientes podem ter disautonomia por efeito colateral de remédios ou em fases avançadas da doença. O surgimento da disautonomia logo nos primeiros anos após o diagnóstico deve chamar atenção para outra condição além do Parkinson.

12. Discinesias

Movimentos involuntários semelhantes a uma dança, um espasmo ou um tique, que surgem após o paciente tomar a levodopa. São um resultado da evolução da doença + efeito colateral da levodopa. Podem ser discretas (a ponto do próprio paciente não perceber) ou graves.

13. Disfagia

Termo técnico para a dificuldade de deglutição de alimentos ou líquidos (ou até saliva). Manifesta-se como engasgos, tosse ao tentar se alimentar ou sensação que o alimento está parado na boca ou na garganta.

14. Distonia

Movimento involuntário provocado por uma contração muscular excessiva, que resulta em uma "postura estranha" (por exemplo, um torcicolo no pescoço, ou um pé invertido após alguns minutos de caminhadas). Geralmente são dolorosos. Pode ser causado pela rigidez do Parkinson ou pelo excesso de levodopa no corpo.

15. Doença de Parkinson genética

Termo utilizado quando a doença de Parkinson é causada por uma mutação genética identificada em testes genéticos específicos. A doença de Parkinson genética corresponde a cerca de 10% de todos os casos diagnosticados e deve-se suspeitar desta causa nos casos de início dos sintomas antes dos 50 anos de idade ou quando há mais familiares de primeiro grau acometidos pela doença de Parkinson.

16. Flutuações motoras

Termo técnico utilizado para quando o efeito da levodopa no paciente com Parkinson não é constante e duradouro. Isto é, quando ela acaba antes da próxima tomada (efeito curto), quando ela acaba de forma súbita (off inesperado) ou quando após tomá-la o paciente passa a ter discinesias (movimentos involuntários).

17. Freezing of gait

Expressão em inglês que significa "congelamento de marcha". Alguns profissionais podem chamar de "FOG" (a sigla). Trata-se daquela situação na qual o paciente não consegue dar o próximo passo pois sente que os pés estão grudados no chão. Esta situação pode acontecer ao iniciar a marcha, mas é mais comum ao tentar virar-se (mudar de direção) e ao passar por locais estreitos (portais, ambientes com muitos moveis, multidões).

18. Hiposmia

Termo técnico para redução da capacidade de sentir cheiros. No contexto da doença de Parkinson, muitos pacientes não conseguem sentir cheiros adequadamente (ou seja, têm hiposmia) anos antes do surgimento dos sintomas.

19. Hipotensão ortostatica

Termo técnico para a sensação de desmaio ou desfalecimento ao mudar de posição (levantar-se de uma cadeira ou da cama, por exemplo) causada pela queda da pressão arterial. Quando grave, pode causar desmaio (síncope) com quedas ao solo. No contexto do Parkinson, a hipotensão ortostática pode ocorrer por efeito colateral de remédios ou pela evolução da doença em fases avançadas.

20. Idiopática

Termo médico usado para descrever uma condição ou doença cuja causa é desconhecida ou não identificada. No contexto da doença de Parkinson, em cerca de 90% dos pacientes acometidos, a doença de Parkinson é considerada idiopática (não há uma causa única para a doença e sim uma combinação de predisposição genética, envelhecimento e exposição a fatores de risco).

21. Janela terapêutica

Termo utilizado para se referir ao período no qual o paciente se beneficiará do tratamento oferecido. Por exemplo, no contexto da indicação de DBS para tratamento da doença de Parkinson, existe uma "janela terapêutica" na qual o paciente se beneficiará do tratamento. Esta janela começa quando o paciente passa a ter flutuações motoras (remédio acaba antes do prazo) e ela finaliza quando o paciente está muito idoso (aumenta o risco cirúrgico) ou quando sintomas resistentes surgiram (quedas, dificuldade de fala, demência).

22. Levodopa

Principal medicação do tratamento da doença de Parkinson. É um precursor da dopamina (ou seja, após ingerida, se transforma em dopamina no corpo).

23. Neuro-degeneração

Termo técnico para se referir a morte de neurônios por alguma causa. Ou seja, há um dano cerebral causado por redução da população de células do cérebro, ainda que não visível em exames como tomografia ou ressonância.

24. Off

Momento no qual o paciente está sem o efeito da levodopa. De forma análoga a quando um aparelho está "desligado", quando dizemos que o paciente está em "off" medicamentoso, estamos querendo dizer que ele "travado", rígido, lento, com tremor, isto é, com seus sintomas do Parkinson.

25. On

Momento no qual o paciente está sob o efeito da levodopa. De forma análoga a quando um aparelho está "ligado", quando dizemos que o paciente está em "on" medicamentoso, estamos querendo dizer que ele destravado, sem seus sintomas do Parkinson.

26. Parkinsonismo

Termo técnico para o conjunto de 3 sintomas: tremor + lentidão anormal (bradicinesia) + rigidez das articulações. O termo "parkinsonismo" é uma expressão genérica, para se referir ao que o médico está observando no paciente no consultório. Não define a causa dos sintomas observados.

27. Parkinsonismo atípico

Condição na qual o paciente tem os sintomas de parkinsonismo (tremor, lentidão e rigidez), mas sua evolução não é típica da doença de Parkinson. Isto é, os sintomas não melhorar com o tratamento, a doença está evoluindo de forma muito rápida. Os 3 principais parkinsonismos atípicos são: atrofia de múltiplos sistemas (AMS), síndrome corticobasal (SCB) e paralisia supranuclear progressiva (PSP).

28. PSP (Paralisia Supranuclear Progressiva)

Doença do grupo dos "parkinsonismos atípicos", caracterizada pela presença de sintomas de parkinsonismo (tremor, rigidez e lentidão) associados a instabilidade postural grave (desequilíbrio com quedas nos primeiros anos de sintomas) e dificuldade de olhar para baixo (o paciente não consegue desviar os olhos para baixo). Tem uma evolução mais grave e rápida quando comparada com a doença de Parkinson, os pacientes geralmente necessitam de apoio para andar ou cadeira de rodas logo nos primeiros anos após o diagnóstico, além de menor resposta ao tratamento medicamentoso disponível.

29. Sialorreia

Termo técnico para excesso de saliva. No contexto da doença de Parkinson, os pacientes queixam-se de que estão "babando muito".

30. Síndrome Corticobasal

Doença do grupo dos "parkinsonismos atípicos", caracterizada pela presença de sintomas de parkinsonismo (tremor, rigidez e lentidão) de um lado só do corpo, associados a posturas estranhas (distonia) com espasmos (mioclonias) e perda de memória grave com necessidade de suporte (demência). Tem uma evolução mais grave e rápida quando comparada com a doença de Parkinson, além de menor resposta ao tratamento medicamentoso disponível.

31. TMS

Sigla para "Transcranial Magnetic Stimulation", uma expressão em inglês, que significa Estimulação Magnética Transcraniana. É uma técnica de estimulação cerebral (neuromodulação) indicada para tratar algumas condições da doença de Parkinson, como: depressão, sintomas motores e desequilíbrio.

32. Toxina botulínica

Medicação injetável, conhecida popularmente como "botox", cujo efeito ocorre pelo relaxamento da musculatura injetada. No contexto da doença de Parkinson, o "botox" pode ser usado para tratamento de contrações musculares involuntárias (distonias), tremores e controle de salivação.

33. Transtorno cognitivo leve

Termo técnico para uma condição na qual o paciente tem perda de memória e do racioc?ínio, mas ainda consegue organizar a própria vida. É um termo genérico, ou seja, não define a causa desta condição (o motivo do paciente estar esquecido). No contexto da doença de Parkinson, mesmo nos primeiros anos após o diagnóstico, alguns pacientes podem evoluir com esquecimentos e desorganização, embora ainda consigam gerir as próprias vidas, trabalhar e dirigir. Chamamos isso de "transtorno cognitivo leve da doença de Parkinson". Importante ressaltar que isso não é sinônimo de demência (quando os esquecimentos são graves a ponto do paciente precisar de ajuda para as atividades do dia a dia).