CBD e Parkinson: o que a ciência realmente diz - um alerta importante do JAMA 2025
Artigo de peso científico alto foi publicado nesta semana após uma análise de 124 estudos e mostrou que a evidência para o uso terapêutico do CBD é limitada e insuficiente para a grande maioria das condições para as quais hoje são amplamente prescritos. Entenda:
Nos últimos anos, a procura por tratamentos naturais aumentou no Brasil, e junto com ela a quantidade de prescritores que se apresentam como especialistas em cannabis medicinal. Em muitos casos, o discurso é sedutor: CBD melhora dor, ansiedade, sono, tremor, rigidez, marcha? trata Parkinson por completo.
Essa narrativa, porém, raramente vem acompanhada de ciência sólida.
Na prática, grande parte dessas promessas se sustenta em pseudociência, marketing agressivo e cursos de formação de baixa qualidade.
Diante desse cenário, a publicação do JAMA 2025 se torna especialmente relevante. O Journal of the American Medical Association é uma das revistas médicas mais respeitadas do mundo, referência ética e científica para médicos, pesquisadores e instituições. Por isso, quando o JAMA lança uma revisão abrangente sobre cannabis medicinal, a comunidade médica precisa ouvir com atenção.
O que o JAMA 2025 mostrou?
A revisão analisou 124 estudos de alta qualidade, entre ensaios clínicos, metanálises e diretrizes internacionais, e trouxe uma conclusão inequívoca: A evidência para uso médico de cannabis e canabinoides é limitada e insuficiente para a grande maioria das condições para as quais hoje são amplamente prescritos.
Atualmente, as únicas indicações com evidência robusta e aprovação internacional são:
1. náuseas e vômitos causados por quimioterapia, após falha de terapias padrão;
2. anorexia associada ao HIV/AIDS;
3. epilepsias pediátricas específicas (Dravet, Lennox-Gastaut e Tuberous Sclerosis).
E só!
Não há indicação aprovada para Doença de Parkinson!
CBD e Parkinson: o que a ciência mostra até agora?
Apesar de ser frequentemente prescrito para sintomas de Parkinson - inclusive para tremor, ansiedade, distúrbios do sono e dor - não há evidência consistente que comprove eficácia clínica relevante nessas situações.
As principais diretrizes internacionais (AAN, MDS, ACP, IASP) não recomendam o uso rotineiro de CBD ou cannabis para sintomas motores ou não motores da doença.
Além disso, o JAMA alerta para riscos importantes, especialmente com produtos de alta potência e baixa regulamentação:
1. piora de ansiedade e sintomas psicóticos,
2. efeitos cardiovasculares,
3. interações medicamentosas que afetam segurança de pacientes em politerapia,
4. dependência em até 30% dos usuários medicinais,
5. contaminação e variação de concentração em produtos vendidos fora das normas regulatórias.
Portanto, para Parkinson, até o momento não existe evidência que justifique o uso como tratamento - seja para tremor, rigidez, dor, insônia ou neuroproteção.
Mas isso não significa o fim da linha! É fundamental que pacientes e cuidadores entendam que dizer que hoje não há evidência não significa dizer que nunca haverá. Há plausibilidade biológica - o sistema endocanabinoide participa de vias motoras, emocionais e sensoriais - e há estudos preliminares em andamento. Porém, a ciência precisa avançar com ensaios clínicos bem desenhados, controlados e rigorosos. É assim que qualquer tratamento sério ganha credibilidade e indicação.
Enquanto essas respostas não chegam, precisamos agir com responsabilidade:
1. não transformar hipótese em tratamento;
2. não criar falsas expectativas;
3. não substituir terapias comprovadas por intervenções sem evidência;
?3. proteger o paciente do uso indiscriminado e de promessas infundadas.
O que a plataforma Parkinson Conecta reforça:
- Nossa missão é traduzir ciência de alta qualidade em informação clara, confiável e acessível.
- Seguiremos acompanhando todas as pesquisas sobre CBD e Parkinson, sempre com espírito crítico e compromisso com a verdade científica.
- Se no futuro surgirem evidências sólidas, seremos os primeiros a divulgar ? com entusiasmo, mas também com rigor.
Por enquanto, seguimos firmes no que a ciência já sabe:
- Cannabis e CBD não são tratamentos estabelecidos para Parkinson.
- Precisamos de mais estudos, mais transparência e menos marketing.
E seguimos juntos - com informação de qualidade, cuidado responsável e esperança baseada em ciência, não em promessas.
Dra. Joyce e Dra Isabela.
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