Aquele ronco que todo mundo ignora pode estar fazendo mal ao seu cérebro
Por muitos anos, o ronco foi tratado como uma piada doméstica. Motivo de brincadeira entre casais, incômodo nas viagens ou sinal de sono pesado. Mas a ciência tem mostrado que o ronco - especialmente quando associado à apneia obstrutiva do sono - não é nada inofensivo.
E, mais recentemente, um estudo de enorme impacto trouxe uma nova preocupação: a apneia do sono não tratada pode aumentar o risco de desenvolver Doença de Parkinson. Parece surpreendente? Vamos entender melhor.
O que realmente acontece quando você ronca?
O ronco surge da vibração das estruturas da garganta quando o ar passa com dificuldade. Em muitas pessoas, isso é apenas um incômodo. Mas em outras, especialmente quando o ronco é alto, diário e acompanhado de pausas na respiração, estamos diante de algo muito mais sério: a apneia obstrutiva do sono (OSA).
Na apneia, a respiração literalmente para por alguns segundos, repetidas vezes, durante toda a noite. Esse padrão causa:
1. quedas repetidas de oxigênio no cérebro,
2. microdespertares constantes,
3. inflamação generalizada,
4. alterações metabólicas,
5. sobrecarga do sistema cardiovascular e
6. estresse oxidativo nas células nervosas.
Ou seja: não é só sono ruim. É uma agressão contínua ao organismo - inclusive ao cérebro.
O que o novo estudo descobriu?
Um estudo publicado recentemente no JAMA Neurology, envolvendo mais de 11 milhões de pessoas, mostrou algo alarmante: pessoas com apneia do sono têm um risco maior de desenvolver Doença de Parkinson ao longo dos anos.
E mais: quanto mais severa a apneia, maior o risco.
Esse é o tipo de evidência que muda a forma como entendemos a doença. Tradicionalmente, a DP é vista como neurodegenerativa e inevitável. Mas agora vemos que existem fatores externos - como a apneia - que podem contribuir para o desenvolvimento da doença.
E existe algo que podemos fazer sobre isso? Sim: tratar!
A parte mais importante da pesquisa é a boa notícia: tratar a apneia com CPAP, especialmente nos primeiros anos, reduz o risco de Parkinson.
Pessoas que começaram o tratamento dentro de até 2 anos após o diagnóstico tiveram cerca de 30% de redução no risco.
E entre as que já tinham DP, o uso do CPAP esteve associado a:
- menos quedas,
- menos fraturas,
- menor mortalidade.
Ou seja, além de prevenir, tratar a apneia também melhora a evolução da doença.
Por que isso importa para a comunidade Parkinson?
Porque muitos sintomas que pacientes interpretam como normais podem ser pistas importantes:
- Ronco alto e frequente
- Pausas respiratórias observadas pelo parceiro
- Acordar cansado
- Sonolência excessiva durante o dia
- Dor de cabeça matinal
- Sensação de sufocamento ao dormir
Infelizmente, muita gente ignora esses sinais. Ou acredita que ronco é apenas um traço da personalidade. Mas a ciência está mostrando que identificar e tratar a apneia cedo pode proteger seu cérebro no longo prazo.
O que você deve fazer agora?
Se você ronca, ou se alguém da sua família ronca, fique atento. Procure avaliação com um médico. Muitas vezes, uma simples polissonografia já confirma o diagnóstico. E, com o tratamento certo, como o CPAP, é possível:
- melhorar a qualidade do sono
- reduzir o risco cardiovascular
- aumentar a disposição
- proteger sua memória e cognição
- e, como vimos agora, até reduzir o risco de Parkinson.
Roncar não é brincadeira. Não é coisa da idade. Não é normal.
É um sinal do corpo - e do cérebro - pedindo ajuda.
Com carinho e responsabilidade,
Dra. Joyce e Dra. Isabela.
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